Um mar de doentes sem o médico
- 1 de jan. de 2017
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"E aconteceu que, estando sentado à mesa em casa deste, também estavam sentados à mesa com Jesus e seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque eram muitos, e o tinham seguido. E os escribas e fariseus, vendo-o comer com os publicanos e pecadores, disseram aos seus discípulos: Por que come e bebe ele com os publicanos e pecadores? E Jesus, tendo ouvido isto, disse-lhes: Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento." Marcos 2:15-17
Publicanos eram cobradores de impostos das províncias romanas. Eles eram muito mal vistos pelas pessoas da época por serem, em sua grande maioria, corruptos. O apóstolo Mateus era publicano. E os pecadores? Quais tipos de pecadores estavam com Jesus na narração bíblica? Apesar de a bíblia não deixar isso claro, acredito que eram pessoas que tinham condutas muito reprováveis para a época: adúlteros, prostitutas, ladrões etc. A narrativa bíblica não deixa dúvida alguma que Jesus convivia diariamente (inclusive comia e bebia) com essas pessoas. O mais interessante de tudo é que a história de preconceito, mesmo passados mais de 2000 anos, se repete. Já tive a oportunidade de questionar, ao menos, 3 pastores que conheço com a seguinte questão: "Alguém que tenha tendências homossexuais tem a liberdade de falar abertamente sobre isso na sua comunidade?" Ou então: "Um homem ou mulher que pende-se a ter relações extraconjugais, pode abrir seu coração a todos na sua igreja?" A resposta foi unânime: não! As comunidades cristãs foram doutrinadas para não suportarem esse tipo de coisa.
Ao aceitamos a Jesus, geralmente o novo crente passa por um discipulado. Nesse processo, aprende-se sobre pecado, arrependimento, sobre a ação do Espírito Santo, sobre a graça etc. No entanto, não é apenas com o discipulado, frequentando os cultos, participando da EBD e sendo batizado que o crente estará curado de toda uma bagagem de mazelas que ele traz da sua vida. Há determinadas feridas que precisam ser melhor tratadas. Há determinadas marcas da vida que precisam ser confessadas, aceitas e vigiadas.
"Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca."
Mateus 26:41
Vigiar e orar devem ser tarefas perenes. Sempre encontraremos na igreja alguém que ore conosco ou por nós, mas será que encontraremos alguém que vigie conosco? Como posso vigiar com alguém se eu não conheço as suas fraquezas? Seria como vigiar no escuro. Seria como esperar por algo que eu não sei o que é! As igrejas estão cheias de pessoas com tendências pecaminosas (e eu sou o primeiro da lista). Não se assuste com isso. É perfeitamente normal. É nossa natureza. Nossas comunidades estão cheias de potenciais adúlteros, potenciais homossexuais, potenciais corruptos etc. Será que há espaços nas comunidades para alguém que tenha vício em pornografia em abrir seu coração? Como vou ajudar esse irmão se eu desconheço essa sua tendência (ou até mesmo prática)? Muitas pessoas deixam a comunidade ("se desviam") por não encontrar nenhum tipo de alívio para isso. O médico (Jesus) com certeza está lá, mas Sua ação (de Jesus) depende da nossa ação.
"Irmãos, se alguém for surpreendido numa falta, vós, que sois animados pelo Espírito, admoestai-o em espírito de mansidão. E tem cuidado de ti mesmo, para que não caias também em tentação! Ajudai-vos uns aos outros a carregar os vossos fardos, e deste modo cumprireis a lei de Cristo." Gálatas 6:1,2
Como posso carregar o fardo de alguém se eu desconheço que fardo é esse? Sou exemplo vivo disso. Me afastei da comunidade cristã por não ter tido espaço para confessar minhas vontades obscuras (aquelas que só Deus conhece), por serem tais vontades reprováveis aos olhos humanos. Não houve quem me ajudasse a carregar meu fardo. Peço a Deus que esse reflexão possa alcançar leitores que repensem nossos modelos de comunidade. Que tenhamos espaços específicos para confessarmos nossas dificuldades e que tenhamos irmãos que nos ajudem na caminhada. Que a paz de Cristo esteja com todos vocês!
Anderson Cavalcanti

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